A arte da crítica (32): para quem escrevemos?

A pergunta do título tem uma resposta pronta: não sabemos. Pelo menos não sabemos exatamente. Cada texto é uma espécie de mensagem numa garrafa, que nunca sabemos se vai chegar a alguém, se esse alguém vai abrir o recipiente, ler a mensagem e compreendê-la da maneira como a escrevemos. Dito isso, podemos fazer alguma ideia … Continue lendo A arte da crítica (32): para quem escrevemos?

A arte da crítica (31): o que faço quando critico?

A pergunta acima não é de fácil resposta. A princípio, digo assim: não sei. Mas posso pensar a respeito. Ou posso parafrasear Santo Agostinho quando lhe perguntavam sobre o tempo. “Se não me perguntam, eu sei; se perguntam, deixo de saber”. Outro dia participei de um encontro de críticos. Havia jovens, intermediários e veteranos. Um … Continue lendo A arte da crítica (31): o que faço quando critico?

A arte da crítica (29): A fábula fala de ti

Jean-Pierre Léaud em Os Incompreendidos Há questões que parecem óbvias, ou até escandalosas de tão óbvias. Mas podem dar em indagações filosóficas. Por exemplo: por que existe alguma coisa, a que chamamos Cosmo, em vez do nada? De vez em quando me pego matutando algumas dessas questões óbvias. Uma delas: mas, afinal, de que serve … Continue lendo A arte da crítica (29): A fábula fala de ti

A arte da crítica (28): a literatura, o cinema e a lição de Drive my Car

Ryusuke Hamaguchi tira a linha central de Drive my Car do conto homônimo, presente no livro Homens sem Mulheres, de Haruki Murakami. Com uma diferença, ou algumas diferenças. No conto, Tchekov aparece apenas como referência. No filme, torna-se central e o cineasta faz sua história dialogar com a peça Tio Vânia do dramaturgo e contista … Continue lendo A arte da crítica (28): a literatura, o cinema e a lição de Drive my Car

A arte da crítica (27): O decálogo do crítico

Não é preciso fazer uma lista de recomendações para saber o que estamos fazendo. Mas muitos críticos sentem necessidade de definir parâmetros sobre seu ofício. Uma maneira de formalizar, para si mesmo, essa atividade que tem tanto de subjetiva. Encontrei o decálogo abaixo numa matéria do El Pais de Cine, suplemento cinematográfico do jornal espanhol … Continue lendo A arte da crítica (27): O decálogo do crítico

A arte da crítica (26): a obra já está contida no material bruto?

Em uma live recente, Eduardo Escorel disse que não lhe agradava a ideia da montagem soberana. Como se o montador pudesse fazer qualquer obra a partir do material recebido. Observação: esta é uma das ideias mais arraigadas em parte do meio cinematográfico (e crítico): a de que um bom montador é capaz de receber um … Continue lendo A arte da crítica (26): a obra já está contida no material bruto?

A arte da crítica (25): De profundis

Falamos de maneira mais ou menos arbitrária sobre filmes “superficiais” e “profundos”. Uma dicotomia, entre tantas. Nos primeiros, o sentido se daria de imediato, sem qualquer necessidade de mediação. Para eles, a crítica, pensada como intermediária, seria, no limite, inútil. São o que são e acabou-se. Sobre os segundos, a crítica seria mais necessária, pois … Continue lendo A arte da crítica (25): De profundis

A arte da crítica (24): o limite da crítica

Há uma nota, ou um pequeno capítulo de O Autor no Cinema, que Jean-Claude Bernardet intitula de “O gosto, o amor pela obra e o crítico”.  Do modo que foi lido por mim, esse pequeno texto fala dos limites da crítica. Transcrevo-o, antes de comentá-lo, porque é curto, denso e inspirador.  “Em banca de doutorado, … Continue lendo A arte da crítica (24): o limite da crítica

A arte da crítica (23): as cenas mágicas

Quase todos os filmes (pelo menos os grandes, mas não apenas) trazem uma cena ou sequência marcantes. Aquelas que - como dizemos - valem pelo filme inteiro. São como metonímias da obra: a parte vale pelo todo.  Funcionam como momentos poéticos, que possuem luz própria. Produzem, em alguns espectadores, aquela sensação de iluminação, de “epifania”, … Continue lendo A arte da crítica (23): as cenas mágicas